segunda-feira, 18 de maio de 2009

Fábio Brüggemann

Na Escola Adelina Régis

Em Videira, no Meio-Oeste de Santa Catarina, tem uma escola pública diferente, a Escola de Educação Básica Professora Adelina Régis. Desde 2003, uma de suas professoras, Lia Colomé, com apoio fundamental da Unimed e de todo corpo docente, coordena o projeto Encontro Marcado, idealizado por ela.

A idéia é simples, mas revolucionária, como comentou comovida a diretora interina, Rosilene Zago, na abertura da 13ª edição do evento, que aconteceu na última segunda-feira. A cada edição, um escritor é convidado a visitar a cidade e conversar sobre sua obra com os alunos da escola. Nesta edição, este escriba aqui ficou até antes de ontem na região, e conversou também com estudantes não só de Videira, mas de Iomerê, Pinheiro Preto e Fraiburgo, numa maratona de debates, onde pude perceber que os adolescentes têm um interesse enorme pelo que escrevemos.

Já passaram pelo projeto, meus colegas desta página, Amílcar Neves e Maicon Tenfen, além de Silveira de Souza, Flávio José Cardoso, Júlio de Queirós, Donaldo Schüler e Maria de Lourdes Ramos Krüger, entre outros. E o projeto cresceu tanto, seja pelo interesse dos alunos, sem o qual a idéia não teria sentido, seja pela disposição da Lia, seja pelo apoio fundamental da Unimed, da Rita, da doutora Magali, dos doutores Flávio e Adroaldo, e tantos outros, que neste ano ainda, visitarei mais de uma dezena de cidades.

Isso significa que uma proposta saída de uma escola pública estadual, no interior do Estado, conseguiu exportar internamente, digamos assim, um projeto revolucionário. A ponto de diretoras de outras escolas e a própria Unimed solicitarem a visita dos escritores em outras cidades, por perceberem que este contato é umas das chaves para a formação de futuros leitores. Num Estado onde os governos fazem questão de manter o povo na ignorância, acreditando que cultura e educação é trazer cursos de dança da Rússia, bales da Polônia, entre outras aberrações como o funcionamento esquizofrênico do Funcultural, professores de escolas públicas, cientes de que eles são Estado e que os governos passam, entendem que a revolução cultural começa mesmo é em casa, silenciosa, mas muito mais eficaz do que os milhões gastos com propagandas enganosas, e projetos não mais que risíveis.

Postado por Fábio Brüggemann no dia 16/05/09 às 11:16:00 am

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